“Olhem!” - gritou ela - “Um preto que não samba!”
Ele era novo no pedaço
E não se vestia como os outros,
Mas,
Era Preto!
Era preto que incomodava
E que atiçava a curiosidade
Das pretas
(para o ciume dos pretos)!
Impávido e estático no exato
Meio da pista!
Enquanto todos requebravam,
Sambando miudinho na ponta dos pés,
Ele em pé,
Provocativo e em estado de repouso
Estava.
Um preto que não samba!
O maravilhoso e improvável
Preto que não samba!!!
Ele não tinha a mínima ideia
Do que ali fazia.
Mais espantado do que alegre
Ou excitado:
Até a deslumbrante Negra
Não o fazia mexer!
“Porque que este cara não vai embora!?”
Exclamou um dos caras da banda
Para um outro...
O preto que não samba
Era o escarnio, a cusparada,
Na cara da empolgação dos demais
E,
Na cara do próprio Samba!
Noite histórica:
Fissuras na sólida estrutura
Tradicional do Samba!
A tragédia apresenta a todos,
O preto que não samba!
Florianópolis, 23 de fevereiro de 2012.
Cleber C Maranhão
obs: desenho modificado por mim e retirado do blog http://cabrochaflordosamba.blogspot.com/ .

0 comentários:
Postar um comentário