sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

POEMA (recitado por mim) - O preto que não samba



“Olhem!” - gritou ela - “Um preto que não samba!”

Ele era novo no pedaço
E não se vestia como os outros,
Mas,
Era Preto!

Era preto que incomodava
Os outros pretos
E que atiçava a curiosidade
Das pretas
(para o ciume dos pretos)!

Impávido e estático no exato
Meio da pista!
Enquanto todos requebravam,
Sambando miudinho na ponta dos pés,
Ele em pé,
Provocativo e em estado de repouso
Estava.

Um preto que não samba!
O maravilhoso e improvável
Preto que não samba!!!

Ele não tinha a mínima ideia
Do que ali fazia.
Mais espantado do que alegre
Ou excitado:
Até a deslumbrante Negra
Não o fazia mexer!

“Porque que este cara não vai embora!?”
Exclamou um dos caras da banda
Para um outro...

O preto que não samba
Era o escarnio, a cusparada,
Na cara da empolgação dos demais
E,
Na cara do próprio Samba!

Noite histórica:
Fissuras na sólida estrutura
Tradicional do Samba!

A tragédia apresenta a todos,
O preto que não samba!

Florianópolis, 23 de fevereiro de 2012.
Cleber C Maranhão


obs: desenho modificado por mim e retirado do blog http://cabrochaflordosamba.blogspot.com/ .

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